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Walney de Almeida (1943)

Walney de Almeida
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Artist's Biography

Filho de Waldemiro Antonio de Almeida e Jocelina Nunes de Almeida, Walney nasceu em plena Segunda Guerra Mundial, no dia 29 de setembro de 1943, na casa onde morava a família, situada na rua Barão de Guaratiba, bairro do Catete, Rio de Janeiro. Nesta mesma casa datada de 1876 viveu toda sua infância. É o último dos sete filhos do casal. Por ser o caçula, teve alguns privilégios, apesar das dificuldades que uma família composta de sete filhos enfrentava na época. Além dele, as quatro irmãs: Idalina, a mais velha dos sete; Jandira, Marlene e Norma; e entre os homens, Jurandir, o único já falecido; e Jacy. Em 1949, aos 6 anos de idade, ingressou no jardim de infância do Colégio Deodoro da Fonseca, no bairro da Glória, no qual concluiu o primário. Nesta época Walney já demonstrava interesse por tudo que envolvia arte e, com isso, conquistava a simpatia das professoras nas aulas de trabalho manual, sempre feitos com capricho. Em 1957, terminado o curso primário, transferiu-se para o Colégio Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, onde cursou o segundo ano ginasial. Já o terceiro ano foi feito no Colégio Rui Barbosa, situado no mesmo bairro. Mas, devido às dificuldades financeiras da família, interrompeu os estudos. Iniciou a trajetória de trabalho em 1958 com o tio João na empresa Latt-Mayer, uma das principais clicherias do Brasil, dirigida por gráficos alemães. A experiência adquirida por Walney nesta fase da sua vida foi de extrema importância para sua carreira, que futuramente se iniciaria na publicidade. Aprendeu a profissão com brilhantes profissionais do setor como o próprio tio João, Dadinho, Cascardo, Otacílio, Alberto e Osmar. Com eles aprendeu a arte da confecção do clichê, uma matriz feita de alumínio que servia ?para a impressão de tipografia, a mais utilizada na época. Conheceu o processo para a impressão de litografia, matriz feita numa placa de pedra de grande espessura; a arte de confeccionar a matriz de fotolito e o processo ?da impressão em offset, novidade que chegava ao país. Apesar das dificuldades enfrentadas neste período de adolescência, passou os melhores momentos de sua vida com os amigos do Catete: Ismael, Marco Antônio, Jorge (“Coquinho”), Nilo, Fernando, Manoel, Roberto, “Quidinho”, Waldir, Sergio, Ivo, Márcio, Fernando, entre outros. Frequentou lugares que até hoje guarda na memória: os bailes carnavalescos na antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo, clube de seu coração; as peladas de futebol na praia do Russel e no Aterro do Flamengo, que viu ser construído; o time de futebol Ordem e Progresso, comandado pelo disciplinador Capitão, no qual jogava aos domingos nos campos de várzea dos subúrbios carioca; os banhos de mar a fantasia e as pescarias na praia do Flamengo. No início da década de 1960, mudou-se para a rua Paissandu, Flamengo. Em 1962, aos 18 anos de idade, serviu ao Exército brasileiro num pequeno quartel no bairro de Triagem. Aproveitando suas habilidades artísticas, neste quartel trabalhou no estúdio de arte junto do amigo Maurício, também recruta, atendendo aos pedidos vindos do Ministério da Guerra. Após a baixa do serviço militar, em 1962, fez alguns cursos de desenho técnico, entre eles a escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Neste mesmo ano ingressou na publicidade por indicação de seu irmão Jacy, na época produtor gráfico da agência Denison Propaganda, pertencente à maior loja de varejo de roupas do país, o grupo Ducal. Os quase oito anos de trabalho na Denison foram fundamentais. Lá conheceu excelentes diretores de arte: Idalino, Oto Cavalcanti, Pêcego, Vitor Lemos, Valdo Melo, Vincenzo Cognac; e dois grandes ilustradores, José Benício e Getúlio Delfin. Além de ter participado de alguns cursos e palestras, foi com o seu irmão Jacy que aprendeu na Denison a arte do planejamento gráfico que muito o ajudou na formação do conhecimento sobre design, planejamento e produção gráfica. Em 1969, a convite da agência de publicidade Sonap, que iniciava suas atividades no Rio de Janeiro, deixou a Denison Propaganda. Paralelo ao novo emprego, durante os horários de almoço e à noite, trabalhou como freelancer junto ao amigo Vincenzo Cognac, num espaço cedido pelo ?boa-praça Franklin, cunhado de Cognac. A experiência bem-sucedida os levou a deixar seus empregos para dar suporte na direção de arte da agência Anda Propaganda, dos amigos Sergio e Clélio. No início da década de 1970, Walney participou com maior envolvimento do universo das galerias de arte, especialmente da Petit Galerie, na rua Barão da Torre, em Ipanema. A Petit, do amigo e marchand italiano Franco Terranova, foi sem dúvida uma das galerias mais importantes do país. Junto a Franco, já como designer gráfico, Walney trabalhou em diversas exposições de arte com renomados artistas como Milton Dacosta, Maria Leontina, ?Ana Letícia, Volpi, Iberê Camargo, Avatar Moraes, Carlos Vergara, ?Siron Franco, Roberto Magalhães, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Caulos, Luiz Alphonso, entre outros. Em 1973, adquiriu em parceria com o irmão Jacy um amplo apartamento de cobertura no Largo do Machado, bairro do Catete. Por fazer parte de uma família grandiosa e também bastante festeira, neste apartamento passou belos momentos. Ainda na década de 1970, outra boa recordação foi sua passagem pelo Renascença Clube, no bairro do Andaraí. No departamento cultural do clube, junto a diversos amigos Walney desenvolveu considerável trabalho, contribuindo para o enriquecimento da cena artística e musical carioca. Entre eles Plínio Muto, Haroldo de Oliveira, Asfilófio (“Filó”), José de Paula (“Maneca”), Edson (“Baiano”), o saudoso José Carlos, seu irmão Jacy, Paulo Jorge, Osmar, Ivanildo, Adilson, Moacyr, Fernando Tolda, Edvaldo, Djalma (“Cachimbo”), João Batista, Jacy (“Chocolate”), (“Biriguda”) Manoel, Jorge Alberto e Paulo César (“Chiclete”). Na época o Renascença tinha na direção o saudoso Ailton, filho do maestro Moacyr Silva. Em 1972 participou da montagem da peça “Orfeu Negro”, cujos direitos foram gentilmente cedidos ao clube pelo autor Vinicius de Moraes, foi certamente um marco desta fase. A primeira versão do espetáculo teve como palco a quadra do “Rena”, inclusive sua esposa Ana Lúcia Canegal fez parte do elenco. Posteriormente, numa manobra mais ousada, foi montada no Teatro Tereza Raquel, localizado na rua Siqueira Campos, em Copacabana, com patrocínio da Letra S.A. Além de convocar atores negros profissionais como Zózimo Bulbul, Zezé Motta, Pompeu e Vinicius, o diretor Haroldo de Oliveira inteligentemente utilizou a estratégia de convocar pessoas comuns, frequentadores do clube, para compor o elenco. Três deles, inclusive, tornaram-se atores profissionais (Paulão, Cidinho e Araújo). O cenário de “Orfeu Negro” teve a assinatura da arquiteta Vera Figueiredo e a música ficou a cargo do maestro Paulo Moura, que tinha sob o seu comando músicos em início de carreira como Mauro Senise, Raul Mascarenhas, ?Ruy Quaresma, entre outros. No departamento social do clube, Walney participou na produção de inúmeros espetáculos musicais como as famosas “Rodas de Samba do Rena”, organizadas por José Carlos com a participação de compositores das principais Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Delas fizeram parte grandes sambistas como Ney Lopes, João Nogueira, Beth Carvalho, Pelado, Geraldo das Neves da Mangueira, Dedé da Portela e Dauro do Salgueiro. Envolveu-se também na realização de fantásticos shows da inesquecível Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola e Cauby Peixoto. Em 1973, deixou a sociedade no estúdio de arte que tinha com o amigo Vincenzo Cognac para alçar um outro voo. Convidado por Álvaro Pacheco, diretor da gráfica e editora Arte Nova, assumiu o desafio de organizar o estúdio de arte da empresa. Contudo, neste mesmo ano, surgiu a ideia de abrir seu próprio fotolito. Numa curta parceria com Beline, Chiquinho, José Luis e Geninho, seus sócios na empreitada montou o Fotolito Beni, que durou três anos. No final de 1975, Walney fundou nova sociedade desta vez com Chiquinho e José Luis, abrindo o Fotolito “Bene”, na avenida Maracanã, bairro da Tijuca. Nesta época atenderam a grandes clientes do Rio de Janeiro como os laboratórios Moura Brasil, Schering, Warner, Wintrop (grupo Sidney Ross) e A H Robins. Empresas como Fiat Lux, J B Tanko Filmes, Carlos Mossi Filmes, Carlos Imperial Filmes, MPM Publicidade, McCann Erickson Publicidade, Soletur Turismo, Petit Galerie também fizeram parte do portifólio de clientes do “Bene”. No ano de 1976, Walney casa-se com Ana Lucia Canegal. Três anos depois, nasce a primeira filha do casal, Ana Carolina. Em 1984, nasce a segunda filha, Ana Letícia. Em 1979, retorna ao mercado publicitário deixando o Fotolito Bene. ?No período em que organizava a nova empresa trabalhou em sua casa. ?No mesmo ano, fundou a Art house Planejamento Visual na rua Augusto Severo, na Lapa. Já em 1987, com o crescimento da empresa, que adquiriu perfil de agência de publicidade, mudou-se para uma ampla casa em Botafogo, na rua Tereza Guimarães. Lá, por muitos anos, comandou uma brilhante equipe de profissionais, atendendo uma carteira de clientes importantes do mercado do Rio de Janeiro. Em 1988, com os amigos Asfilófio de Oliveira (“Filó”), Carlos Alberto Medeiros e José Reinaldo Marques, fez parte do histórico projeto de comemoração do Centenário da Abolição da Escravatura 1888-1998. Assinou a criação da marca do Centenário e participou ativamente do planejamento, da produção e das gravações dos comerciais para televisão feitos na época pela Globotec, empresa do Sistema Globo. Com a direção do talentoso Jayme Monjardim, os comerciais foram estrelados pelo rei do futebol Pelé e pelo cantor e compositor Gilberto Gil. Outro projeto marcante na trajetória de Walney foi igualmente realizado junto ao amigo Filó. A equipe da Art house, cujo departamento de criação tinha à frente a amiga Lina Pinheiro, foi a responsável pela elaboração das peças gráficas para o Comitê Paraolímpico Brasileiro, este presidido pelo também amigo João Batista, incansável batalhador pelas causas dos deficientes físicos. As peças foram exibidas na Casa Brasil, espaço brasileiro criado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em duas Paraolimpíadas, nas edições de Atlanta (EUA, 1996) e de Sydney (Austrália, 2000). No final de 2001, com a crise que sacudiu o mercado publicitário Walney se viu obrigado a deixá-lo, permanecendo então, no mercado editorial, no qual atua até a presente data desenvolvendo projetos de design, planejamento e acompanhamento de produção gráfica. A partir de 2002, retomou os estudos iniciais para a pintura, tendo como referência principal a Abstração geométrica, tema que sempre admirou.

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