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Ascânio MMM (1941)

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Artist's Biography

Ascânio Maria Martins Monteiro nasce em 16 de setembro de 1941, em Fão, província do Minho, ao norte de Portugal. Ainda criança, familiariza-se com madeiras e ferramentas na oficina do tio-avô José Linhares, ex-proprietário de estaleiro naval na foz do rio Cávado. Assíduo em missas dominicais, auxiliar na decoração de igrejas barrocas, além de montar presépios. Faz constantes caminhadas ao pinhal de Ofir, cujas casas para veraneio têm arquitetura moderna. A assepsia do espaço e do mobiliário o fascina. Aos 12 anos, cogita ser arquiteto. Eram habitações sem memória, livres de todos os condicionamentos, observa mais tarde. Dos 13 aos 17 anos, emprega-se em loja de ferragens em Esposende. Seu pai, Manuel Campos Monteiro, decide seguir o fluxo migratório dos compatriotas para o Brasil. O embarque da família é disperso. A chegada do pai em terras sul-americanas data de 1954. Dois anos depois de estabelecido no Rio de Janeiro, requer a vinda do primogênito. Ascânio reluta. Com leituras iniciadas na biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, quer estudar no Porto. Manuel, seu irmão, viaja ao Brasil antes dele, em 1958. Apenas em abril de 1959, Ascânio e remanescentes (sua mãe, Maria Carmina Martins Moledo, sua tia-avó Rosa, seus irmãos Fernanda, Jorge e Carmina) cruzam o Atlântico. Tem pouco mais de 17 anos quando experimenta a visão da metrópole. Com endereço residencial no bairro do Estácio, emprega-se em loja de ferramentas e ferragens, depois em escritório de construção civil, e faz estudos supletivos à noite. A partir de 1962, trabalha no Centro de Turismo de Portugal, bairro do Castelo. Em 1963, vê a primeira exposição de artes plásticas, no Museu Nacional de Belas-Artes. No mesmo ano, ingressa no curso de pintura da Escola Nacional de Belas-Artes (ENBA), na Universidade do Brasil. O objetivo é adquirir habilidade em desenho e se preparar para os exames de arquitetura. Seu interesse cresce de forma definitiva, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com mostra individual de Ivan Serpa, em 1965. A Fase negra do pintor, de figuração deliberadamente expressionista, surpreende-o. Conhece, no mesmo museu, os bronzes do inglês Henry Moore, marcados pela tensão entre o compacto e o vazio. Ainda em 1965, matricula-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na ilha da Cidade Universitária, iniciando observação sistemática de maquetes de planos urbanísticos. Recolhe, então, material em marcenarias e faz os primeiros trabalhos com madeira. Em 1966, impressiona-se com a exposição do inglês Victor Pasmore, que desenvolve, simultaneamente, abstração geométrica e morfologias orgânicas em pintura, relevos e gravuras. Mantém, com Antonio Manuel e alunos da ENBA, ateliê no bairro da Tijuca. Em 1967, é apresentado ao crítico Mário Pedrosa. Em fins de março de 1968, assiste a todas as decisões tomadas para os funerais do estudante secundarista Edson Luís Lima Souto, assassinado pela Polícia Militar. Envolvido com política estudantil desde o ano anterior, Ascânio colabora na produção do jornal do Diretório Acadêmico Atílio Correia Lima, da FAU/UFRJ. O último número, com artigos contra o governo militar, sai poucos dias antes da decretação do Ato Institucional n. 5, pelo marechal Arthur da Costa e Silva, em 13 de dezembro de 1968. O regime de exceção é instalado. Também em 1968, passa a freqüentar a casa de Ivan Serpa. Integrante da chamada geração AI-5, imediatamente posterior a da nova figuração, e mesmo tendo como foco de interesse a forma e a construção, Ascânio se forma ao lado de Antonio Manuel, Cláudio Paiva, Manuel Messias, Raymundo Colares, Vera Roitman e Wanda Pimentel, e de artistas de vertentes conceituais, como Artur Barrio, Cildo Meireles, Luiz Alphonsus e Odyla Ferraz, que elegem o Museu de Arte Moderna como centro nervoso das artes plásticas no Rio de Janeiro. O nosso grupo ia a reboque do movimento estudantil, não havia um embasamento teórico, recorda. Após deixar o Centro de Turismo de Portugal, faz estágios de arquitetura até graduar-se em 11 de março de 1970, pela FAU/UFRJ. Em abril, naturaliza-se brasileiro. Recém-formado, atua em escritórios de engenharia no Rio de Janeiro e em Vitória (ES). De 1971 a 1973, integra a equipe que implanta o sistema automático de sinalização e duplicação da estrada de ferro Vitória-Minas. Não obstante, mantém ateliê no Rio de Janeiro. Casa-se com a professora de história da UFRJ Ana Maria Ferreira da Costa em 12 de janeiro de 1974, na capela de Santa Teresinha, bairro de Laranjeiras. No mesmo ano, visita a Europa pela primeira vez desde a imigração. Em 22 de janeiro de 1976, nasce Laura, sua primeira filha. É também o último ano em que, paralelamente às atividades de escultor, desenvolve projetos arquitetônicos. Em 4 de outubro de 1978, nasce Joana, a segunda filha. É breve sua passagem pela Fundação Nacional de Arte, a cargo do planejamento, coordenação e montagem do 'III Salão Nacional de Artes Plásticas': exatos nove meses, entre 1979 e 1980. Em 1981, é convidado por Rui Rocha Veloso, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ), a dirigir a galeria de arte sem fins comerciais, visando ao debate sobre as relações entre arte e arquitetura. Para dividir os trabalhos de direção e curadoria, convida o pintor Ronaldo Macedo e os arquitetos Ana Maria Pires Ribeiro e Antônio José Pedral. A Galeria de Arte do IAB-RJ, situada no bairro de Botafogo, é inaugurada em 18 de maio do mesmo ano, com exposição retrospectiva da obra do escultor Franz Weissmann. Depois de mostras individuais de Maria Leontina, Joaquim Tenreiro, Abraham Palatnik, Ione Saldanha, para citar algumas, sempre com o caráter de síntese de um percurso, as atividades da galeria são encerradas sumariamente, sem qualquer justificativa ou consulta prévia aos seus curadores. Em carta à imprensa, datada de fins de novembro de 1982, eles comunicam o desinteresse da nova direção daquele instituto em prosseguir com os trabalhos, apesar da excelente recepção por parte de arquitetos, artistas plásticos, crítica especializada e pública em geral. Em 1983, a partir da instalação de Módulo Rio (1971-83, alumínio pintado, 350 X 430 X 600 cm) na alameda do edifício Argentina, praia de Botafogo, Ascânio desenvolve com João Augusto Fortes, diretor da João Fortes Engenharia, a idéia de um espaço para a arte. A parceria se iniciara quando, à frente da Galeria de Arte do IAB-RJ, convenceu o empresário a financiar os catálogos das retrospectivas de Maria Leontina e Joaquim Tenreiro. Nos sete anos seguintes, Ascânio divide, com o pintor Ronaldo Macedo e com João Augusto Fortes, a direção da Galeria do Centro Empresarial Rio. A agenda consiste das primeiras mostras individuais de artistas da geração 80 (Angelo Venosa, Daniel Senise e Jorge Barrão, por exemplo); da mostra anual 'Novos novos', com descobertas na cena de arte contemporânea do Rio de Janeiro (Adriana Varejão, Cristina Canale, Márcia X, Salvio Daré, para citar alguns); de exposições dos renomados Aloísio Carvão, Artur Barrio, Lygia Pape e Raymundo Colares (post-mortem); e de um primeiro mapeamento da arte high tech feita no Brasil, com obras de Eduardo Kac e Júlio Plaza, entre outros. Em 1990, no contexto do plano econômico do governo de Fernando Collor de Mello, e devido a mudanças na política cultural da João Fortes Engenharia, a Galeria do Centro Empresarial Rio é fechada. Atento observador das políticas culturais do governo nos âmbitos municipal, estadual e federal, Ascânio é consultado, com regularidade, pelos principais jornais do Rio de Janeiro, e assina, entre 1985 e 1996, os artigos O artista deve participar, em que reclama o engajamento dos seus pares na crítica das agendas institucionais; Exposição de um abandono, em que nota a falta de apoio político e financeiro às artes plásticas como algo contrário à forte tradição cultural do Rio de Janeiro, propondo, inclusive, a reutilização dos armazéns no porto para grandes mostras de arte; e O Rio precisa de referências, em que critica os gastos absurdos com postes de iluminação do Rio-Cidade, programa de reurbanização da Prefeitura do Rio de Janeiro, em detrimento da aquisição de esculturas para marcar os espaços públicos. Em 1986, termina a ampliação do ateliê, com três andares, no mesmo endereço em que mora com a família desde 1972: rua Aureliano Portugal, 165, bairro do Rio Comprido. Em 1989, exatos trinta anos depois da chegada ao Brasil, faz sua primeira exposição individual em Lisboa, com caráter parcialmente retrospectivo. Em fins de 1991, é convidado a dirigir galeria de arte projetada para o edifício RB1, na avenida Rio Branco, centro do Rio. Para responder à iniciativa empresarial, convoca o pintor Ronaldo Macedo, parceiro de longa data. O Espaço RB1 Arte Contemporânea é inaugurado em janeiro de 1992, com 'Escultura 92/Sete expressões', reunindo obras de Amílcar de Castro, Angelo Venosa, Cristina Salgado, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Lygia Pape e Tunga. Por motivos não esclarecidos, é fechado após a mostra. Em maio de 1997, Módulo 6.5 (1970-97, alumínio pintado, 300 X 900 X 450cm) é instalada como Monumento à Integração das Américas, na avenida Presidente Vargas, em frente ao Centro Administrativo São Sebastião, sede da Prefeitura do Rio de Janeiro. Na ocasião, Ascânio sugere ao prefeito Luiz Paulo Conde o empréstimo, por tempo determinado, de casas abandonadas no bairro do Estácio, há anos sem pagamento de impostos urbanos. Em contrapartida à montagem de ateliês e realização de mostras, os artistas beneficiados devem proceder à conservação interna dos imóveis e à restauração de fachadas, com preservação de estilos. Em setembro do mesmo ano, é condecorado pelo presidente de Portugal, Jorge Sampaio, com a Ordem do Mérito, grau de comendador, no Palácio São Clemente, no Rio de Janeiro. Dois anos depois, Piramidal 12.5 (1993-99, alumínio anodizado, 620 X 286 X 128cm) torna-se a primeira obra do artista a ocupar uma praça pública em seu país de origem, com instalação no largo do Cortinhal, em Fão.

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