Cleber Machado

(1947)
Tudo começou em Porto Alegre por desejo de João Pedro e Marina. A partir dos 12 anos de idade pratica natação no União, vindo a ser recordista gaúcho dos 100 m em nado de peito. Logo, transfere-se para o Fluminense, no Rio de Janeiro, e nada por mais três anos. Em seguida, dedica-se à caça submarina em Arraial do Cabo e Búzios. Começa a participar, no Rio de Janeiro, do movimento estudantil. Em meio a passeatas, em 1968, e o Salão de Arte Moderna, Cleber é preso e depois solto em 24 horas graças à interferência do pai de um amigo da natação. Com o susto da prisão resolve não mais participar das passeatas. Embora as insuflasse, não participava delas. Neste mesmo período, seus amigos Barrio e Granato, da Escola de Belas de Artes, também participavam das passeatas, das quais sobreviveram todos.<br><br>
Morando no bairro de Santa Tereza, começa a fazer jóias de prata e acrílico, tendo mais tarde recebido o Prêmio de pesquisa em jóia na 11a Bienal de São Paulo. Em seguida, dividido entre a jóia e a escultura, opta pela segunda tendo economicamente sido uma má decisão, mas compensada pela satisfação interior. <br><br>
No seu estúdio em Botafogo, dá um curso de escultura, tendo também seus amigos Marcio Mattar desenvolvido um curso de jóias; Roberto Magalhães, de desenho e o monge busdista Anurudha dando curso de meditação. Não tendo os resultados financeiros esperados, o nosso querido monge resolve, sem falar português e sem conhecer o Rio de Janeiro, comprar um Fusca e ser taxista. Também casou e deixou o manto, mas continuou sendo budista. Foi um período difícil mas divertido, segundo o artista. <br><br>
Neste mesmo período, a convite da Bienal de São Paulo, participa da Sala Brasília, tendo seu trabalho sido adquirido pelo Presidente Juscelino Kubitschek para compor o acervo do futuro Museu de Arte Brasileira, em Brasília. <br><br>
Muda-se para a praia de Guaratiba, a 40 km da cidade do Rio de Janeiro e volta a fazer caça submarina. Segundo Cleber, foi um período divertido. Dando uma folga aos peixes, volta a morar na cidade de São Paulo e realiza com o MAM SP uma exposição às margens do Lago do Ibirapuera. Após um pequeno período, muda-se para Nova Iorque. Três anos depois, morando na Cidade do México, onde nos jardins do MAM, logo após encerrada a exposição de Henry Moore, Cleber Machado mostra a sua instalação Arqueologia do ano 4000 (“Que responsabilidade!”). <br><br>
Um ano depois volta a viver no Rio de Janeiro e cria no MAM RJ um curso sobre intervenção urbana e seus aspectos sociais. Em seguida, a convite de seu amigo Rubens Gerchman faz uma exposição nos jardins do mesmo museu. Constrói um estúdio em São Cristóvão, perto da barreira do Vasco. Trabalha nele por dois anos e vende-o. Muda-se para Petrópolis. Volta a São Paulo para participar da 20a Bienal de São Paulo. Cria em função deste evento: Terra, Água e Ar. Simula com um helicóptero, à noite nos céus de São Paulo, a presença de um disco voador que desce no Lago do Ibirapuera. Deixa Petrópolis e volta a morar em São Paulo. <br>
Vive, no início dos anos noventa, uma depressão profunda da qual se considera, após quatro anos, um sobrevivente. A convite do amigo José Roberto Aguilar e desafiado pelos amigos Antônio Henrique Amaral e Cláudio Tozzi, num bar da Barra da Tijuca, Cleber Machado realiza uma exposição no jardim da Casa das Rosas (atual Espaço Haroldo de Campos de Poesia). A depressão se afasta. Voltando a trabalhar com tenacidade na sua linguagem original, como ele próprio denomina, a “geometria onírica”, seu amigo Siron Franco comenta “você domina e brinca com a geometria“.<br><br>
Realiza uma exposição na Galeria Ricardo Camargo, na qual homenageia sua amiga Niomar Moniz Sodré Bittencourt. Na ocasião da exposição, Wesley Duke Lee comenta: “... o interessante é que na linguagem da geometria, aparentemente dissecada, você mostra que essa geometria não tem fim”. Posteriormente, expõe no bucólico espaço do amigo Leo Laniado. <br><br>
Recentemente expôs na Galeria Remy Toledo, em Nova Iorque. Prepara no momento, obras para uma exposição em Lisboa.
Neste meio tempo, Cleber considera que conseguiu realizar quatro obras-primas: duas com a participação de Elizabeth – Delfos e Dafne. E com Catherine o inesquecível e amado João Pedro e Cléber Jr.
Cronologia
Coleções Públicas Selecionadas<br><br>
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – Brasil.<br>
Museu de Arte Moderna de São Paulo – São Paulo. <br>
Museu de Arte Moderna - México - DF. <br>
Museu de Arte Brasileira – FAAP – São Paulo – Brasil. <br>
Museo Rayo - Roldenibe Del Vale – Colombia. <br>
Museu de Arte Brasileira – Brasília – Brasil. <br>
Centro de Arte Latino Americano – México – DF. <br>
Museo de Arte Americano – Manágua – Nicarágua. <br>
Arquivo do Estado de São Paulo – Brasil. <br>
Museo de Arte Moderna – La Tertulia – Cali – Colômbia. <br>
Museo Casa Del Lago – México – DF. <br>
Nanmeikan Art Modern – Makurazaki – Japão. <br>
Museo El Chopo – México – DF. <br>
Museu de Arte Moderna de Londrina – Paraná. <br>
posições coletivas Selecionadas<br><br>
Salão Nacional de Arte Moderna – 1968/69/70/71. <br>
Arte Contemporânea Brasileira – BankBoston – Rio de Janeiro – 1970. <br>
Pré Bienal de São Paulo – 1970. <br>
XI Bienal Internacional de São Paulo – 1971. <br>
Festival Panamericano de Cultura – Cali – Colômbia – 1971. <br>
Brasil Plástica’ 72 – Bienal de São Paulo – 1972. <br>
Panorama da Escultura Brasileira – MAM, SP – 1972/75/78/85/88/91. <br>
XIII Bienal Internacional de São Paulo – Sala Brasília – 1975. <br>
Bienal Internacional de São Paulo – 1979. <br>
Espaço Alternativo “Galpão” São Paulo – 1979. <br>
12a. International Sculpture Conference – San Francisco – EUA – 1982. <br>
100 Anos de Escultura Brasileira – MASP – 1982. <br>
Arte Contemporânea Brasileira – Tendências, Galeria Montessanti, Rio de Janeiro – Brasil – 1987. <br>
XX Bienal Internacional de São Paulo – Eventos Especiais – 1989. <br>
Gallerie Montessanti, International Art Fair, Bogotá, Colômbia - 1991. <br>
Bienal Internacional de Makurazaki – 1991. <br>
Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo – 1996. <br>
Toque de Mestre. Museu de Arte Contemporânea de Campinas, SP. Brasil - 1998. <br>

